Dúvidas e metodologias de cobrança pelos serviços prestados

Um dos assuntos que geram dúvidas em meio aos profissionais da construção civil, engenheiros e arquitetos, é saber o quanto cobrar em um projeto. Há também dúvida ou confusão sobre a escolha da melhor metodologia de cálculo e, em um segundo momento, como executá-la, pois cálculos malfeitos podem causar prejuízos, se subestimados, ou levar à perda do contrato, quando acima da expectativa do cliente.

Para responder sobre essas questões, contatamos Andréa Borba Pinheiro, Agente de Fiscalização da CAU/RS, Arquiteta e Urbanista; e também o presidente do Sinduscon de Novo Hamburgo, o engenheiro Carlos Eckhard.

  • Qual é o método de cobrança adotado atualmente na prática dos serviços de arquitetura e engenharia?

Segundo o Censo de 2012 do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), os profissionais costumam estipular, em sua maioria, um valor em reais para cada metro quadrado de projeto de arquitetura. O valor depende bastante da região e da realidade do mercado local. Além disso, o método mais utilizado é a antiga Tabela de Honorários do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). Em 2010, com a criação do CAU/BR e dos CAU dos estados (CAU/UF), passou a ser responsabilidade do conselho federal a homologação de tabelas de honorários de arquitetura e urbanismo.

Segundo Andréa, “temos uma tabela do CAU/BR, fruto da discussão de diversas entidades de arquitetura e urbanismo, dentre elas o próprio IAB. No entanto, ela tem caráter orientativo e nada impede que os profissionais definam outras maneiras de cobrar pelos seus serviços”, ressalta.

Pelo lado da engenharia, Carlos Eckhard comenta que o método de cobrança é construído a partir da previsão de custos para a realização do projeto.

  • Qual a melhor maneira de definir a metodologia de cálculo de um projeto de arquitetura ou engenharia? Quais as implicações de um cálculo malfeito?

No ramo da engenharia, o cálculo aplicado costuma ser correlacionado à área construída. É importante diferenciar o cálculo do orçamento da obra, ou seja, custo dos materiais e mão-de-obra para levantar a edificação, do cálculo dos honorários profissionais do arquiteto ou engenheiro.

O orçamento da obra sempre é uma estimativa próxima da realidade, dependendo do nível de detalhamento exigido pela situação, de quanto a construção vai custar, considerando desde a quantidade de cimento até parafusos para fixação de estruturas metálicas.

Já, os honorários profissionais, ou seja, a remuneração do responsável técnico (arquiteto e urbanista ou engenheiro civil, no caso) é o valor recebido por ele pela prestação do serviço de projeto e/ou de execução da obra.

Quando esse cálculo de orçamento da obra é malfeito, e geralmente ocorre “para menos”, é natural que haja um prejuízo financeiro substancial, por parte do cliente, que terá que desembolsar valores superiores àqueles inicialmente pretendidos, correndo o risco de ter que paralisar a obra até levantar recursos suficientes para finalizá-la.

E, quando isso ocorre com o cálculo dos honorários profissionais, geralmente a qualidade e/ou quantidade de serviço intelectual entregue pelo responsável técnico não corresponde e certamente causará frustração tanto para o profissional quanto para o cliente, pois alguma das partes acabará não sendo recompensada corretamente pelo seu empenho: seja o profissional, por trabalhar muito e receber pouco, seja o cliente, por pagar muito e não ter o retorno de serviço que esperava.

Fontes de pesquisa sobre cobrança de honorários

Para quem está entrando para o mundo da arquitetura e para quem já é profissional e tem dúvidas sobre o assunto, há um aplicativo que automatiza os cálculos de honorários, acessível no link http://honorario.caubr.gov.br/auth/login, através do site do CAU/RS (http://www.caurs.org.br/). Arquitetos e Urbanistas registrados no CAU podem simular propostas de honorários fazendo o login com seu CPF e senha de registro no CAU. Mesmo quem não está registrado no CAU pode acessar os manuais das tabelas, em PDF, para aprender a fazer os cálculos manualmente e também fazer simulações de serviço mais simplificadas, criando um login com e-mail e senha.

Na área da engenharia, Eckhard destaca que há pouca informação disponível para consulta, mas enfatiza que normalmente os sites de sindicatos de engenharia fornecem tabelas base para que os profissionais possam se orientar.

 

 

 

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